Uma jornada guiada de psicoeducação sobre a ansiedade relacionada à saúde — preparada pelo Dr. Fábio Fonseca para acompanhar o seu tratamento.
Nada é enviado automaticamente: seus registros ficam guardados apenas neste aparelho, para você retomar a visita quando quiser. Enviá-los ao consultório é uma escolha sua, feita no Caderno de Bordo.
Quem vive com ansiedade relacionada à saúde passa o dia vigiando o próprio corpo. Este observatório existe para algo diferente: aprender, sala por sala, um novo jeito de observar.
Planta do observatórioA Cúpula Central
Não há ordem obrigatória — você pode visitar as alas como preferir e voltar quantas vezes quiser. Se quiser um percurso sugerido, siga a numeração: ela acompanha a sequência do programa original.
Onde a preocupação normal termina e a ansiedade começa — e um teste para você se situar.
As experiências de vida que deixam a saúde parecendo frágil — e as regras silenciosas que nascem daí.
O mecanismo central do observatório: um ciclo vicioso que você pode percorrer peça por peça.
Um experimento ao vivo sobre o efeito de focar no corpo — e o treino para recalibrar sua lente.
A conexão mente-corpo e o método do detetive: examinar as evidências antes de acreditar no alarme.
Por que checar o corpo e consultar o "Dr. Google" alivia por minutos e alimenta por meses.
O que você deixou de fazer por causa do medo — e a escada, degrau a degrau, para retomar.
As regras de "deveria" e "se… então…" que sustentam tudo — e como flexibilizá-las.
O novo modo de funcionar, o plano contra recaídas e a roda da vida saudável.
Os 12 cadernos originais do programa, em PDF, protegidos por código de acesso.
Site do consultório e WhatsApp para informações sobre consultas.
Tudo o que você registrou na visita — reveja, baixe em PDF ou envie ao consultório.
Baseada no Módulo 1 e na Folha Informativa 1 do programa "Helping Health Anxiety" (CCI)
Muita gente pensa em saúde como a simples ausência de doença, lesão ou incapacidade. Mas o significado de saúde muda de pessoa para pessoa: um atleta pode se considerar "doente" por uma lesão que o impede de treinar, enquanto alguém com diabetes ou asma bem controladas pode se considerar plenamente saudável.
As melhores definições de saúde envolvem três áreas — o funcionamento físico, mental e social — e, mais importante, entendem cada uma delas como um contínuo, que vai de muito ruim a excelente. Saúde não é uma questão de "tudo ou nada".
Pare um instante: como você descreveria a sua saúde? No que você focou ao responder? Considerou também seu bem-estar mental e social — ou apenas os sintomas físicos?
A ansiedade aparece quando pensamos que algo ruim pode acontecer ou vai acontecer. Isso é, na verdade, um instinto de sobrevivência: diante de um animal perigoso, é ótimo que o cérebro reconheça a ameaça e prepare o corpo para lutar, correr ou se esconder — a chamada resposta de luta ou fuga.
O detalhe é que essa resposta também dispara diante de ameaças apenas percebidas. Já sentiu o coração acelerar antes de falar em público? Já ficou tenso atravessando uma rua escura? Nada de ruim precisava acontecer — bastou acreditar que havia perigo.
Ansiedade relacionada à saúde é exatamente isso: a experiência de pensar que pode haver uma ameaça à sua saúde — o que dispara a resposta de ansiedade do corpo.
Os medos mais comuns envolvem ter ou desenvolver câncer, doença de Alzheimer, esclerose múltipla, distrofia muscular, uma doença mental como esquizofrenia, um problema de tireoide, ou sofrer um infarto. Mas nem todo mundo teme algo específico: às vezes é só a sensação de que "algo não está certo". E, em alguns casos, o medo é pela saúde de alguém querido — um filho, um companheiro. As mesmas ferramentas deste observatório servem para esses casos.
Formas leves de preocupação com a saúde atingem todo mundo de vez em quando. Quem nunca ficou apreensivo esperando um resultado de exame, ou notou um carocinho novo e pensou duas vezes? A preocupação com a saúde se torna ansiedade problemática quando ela é:
Este ponto merece uma vitrine própria no observatório. A ansiedade relacionada à saúde pode existir em pessoas "saudáveis", em pessoas com sintomas reais porém sem explicação médica, e em pessoas com uma doença já diagnosticada. Ou seja: os sintomas físicos no centro da sua ansiedade não são "coisa da sua cabeça".
Ter ou não sintomas reais não é a questão central. A questão é como você está respondendo a eles. Se a resposta envolve preocupação excessiva e persistente, checagem, busca de reasseguramento ou evitação — a ansiedade de saúde pode ser um problema, com ou sem doença presente.
Responda às afirmações abaixo com honestidade. Suas respostas ficam guardadas apenas neste aparelho — e você decide, no Caderno de Bordo, se as leva à consulta ou as envia ao consultório.
A ansiedade relacionada à saúde costuma cobrar seu preço em várias áreas. Toque em cada uma para ver como:
Baseada no Módulo 2 do programa "Helping Health Anxiety" (CCI)
É a pergunta mais comum de quem convive com esse problema. A causa exata da ansiedade relacionada à saúde não é conhecida. Há evidências de que, como todos os transtornos de ansiedade, ela possa ter um componente herdado ou biológico — mas aceita-se que outros fatores importantes aumentam a chance de desenvolvê-la. Esta ala expõe esses fatores.
Quem vive ansiedade de saúde frequentemente relata algumas destas experiências anteriores. Abra as que fizerem sentido para você:
Que experiências da sua história podem ter aumentado a sua preocupação com a saúde? Vale anotar — este será um material precioso para as consultas.
Faz sentido que essas experiências aumentem a sensação de que a sua saúde é frágil, e de que doenças são comuns, dolorosas ou fatais. Com esse peso nas costas, é natural tentar se proteger. O programa identifica duas formas principais de "proteção" — que, com o tempo, se voltam contra você:
Todos vivemos por regras e suposições — e em geral elas ajudam ("devo escovar os dentes duas vezes por dia"). Uma regra se torna um problema quando é imprecisa ou inflexível. No coração da ansiedade de saúde estão regras de "devo/tenho que" e suposições de "se… então…". Toque nas que soam familiares:
As regras marcadas são um bom retrato do que a Ala VIII vai ajudar a flexibilizar. Elas nasceram para proteger você — só se tornaram problema quando ficaram imprecisas e inflexíveis.
Uma parte útil da resposta de luta ou fuga é focar a atenção na ameaça. Imagine caminhar por uma trilha e cruzar com uma cobra: seu olhar trava nela — não nas flores, no vento ou no canto dos pássaros. E, pelo resto do passeio, você segue em alerta, sobressaltando-se com folhas que farfalham.
A maioria das pessoas, na maior parte do tempo, ignora desconfortos leves, barulhos do corpo, carocinhos que vêm e vão, variações de energia. Nossos corpos são como carros antigos e barulhentos: às vezes rodam liso, às vezes rangem um pouco — mas seguem rodando, desde que a gente abasteça e faça uma revisão de vez em quando.
Quem tem ansiedade de saúde acredita que sua saúde está sob ameaça — e por isso fica sensível a ela, como quem vigia a cobra. O problema: focar em um sintoma pode amplificar a intensidade dele. Quanto mais você observa, mais percebe; quanto mais percebe, mais se preocupa; quanto mais se preocupa… mais observa.
Percorra o mapa que resume esta ala — toque em cada estágio:
Não podemos mudar nossa biologia nem o passado — e isso poderia soar desanimador. Mas eis a boa notícia desta ala: não importa tanto como a suscetibilidade surgiu. O que mantém a ansiedade de saúde viva são coisas que fazemos no aqui e agora — e essas, sim, podemos enfrentar e mudar. É exatamente esse o trabalho das próximas alas.
Baseada no Módulo 3 do programa "Helping Health Anxiety" (CCI)
A ansiedade de saúde pode ficar adormecida por longos períodos — até que algo a "ligue". Curiosamente, os gatilhos são coisas que fariam qualquer pessoa pensar na saúde por um momento. O que transforma o gatilho em episódio de ansiedade é o encontro dele com aquelas regras rígidas da Ala II.
É normal sentir coisas no corpo: desconforto no estômago, formigamentos, zumbido no ouvido, sensibilidade nos dentes, variações do ritmo do coração, da saliva, da energia. Às vezes surgem sintomas novos — dores de cabeça, uma alergia na pele, um gosto estranho na boca, um tique sob o olho. O corpo, como o carro antigo, produz ruídos.
Quais são os seus gatilhos mais frequentes — internos e externos? Reconhecê-los é o primeiro passo para não ser pego de surpresa por eles.
Esta é a peça mais importante de toda a visita: o ciclo vicioso que mantém a ansiedade de saúde girando. Percorra-o tocando em cada engrenagem:
Sarah, 30 anos, leu numa revista a história de alguém que desenvolveu câncer de garganta sem nunca ter fumado. Desde então, passou a notar sensações estranhas na garganta — aperto, secura. O médico examinou várias vezes: "a região está um pouco irritada, sem qualquer sinal de câncer; volte se piorar".
Insatisfeita, Sarah passou a forçar tosse diariamente para examinar o catarro em busca de sangue, a pressionar o fundo da língua com a escova de dentes procurando pontos doloridos, e a apalpar o pescoço atrás de caroços. Tinha dificuldade de se concentrar no trabalho — a atenção sempre voltava à garganta — e passava horas pesquisando sintomas e tratamentos. Começou a desligar a TV sempre que apareciam séries médicas: "não preciso que me lembrem do que o futuro reserva".
Repare: as checagens de Sarah deixaram a garganta mais irritada e dolorida — o que aumentou a certeza de que algo estava errado. O médico e a internet nunca conseguiam dar 100% de garantia. A evitação impediu que ela testasse seus medos. O alívio de cada checagem durava minutos; o ciclo, meses.
À primeira vista, é pesado descobrir que justamente os seus esforços para controlar a preocupação são o que a mantém. Mas entender o que sustenta o ciclo no dia a dia mostra exatamente onde é possível quebrá-lo. As alas seguintes apresentam, uma a uma, as ferramentas: atenção (Ala IV), pensamentos (Ala V), checagem (Ala VI), evitação (Ala VII) e regras (Ala VIII).
Você pode se perguntar: por que não começar atacando logo as regras, que estão na raiz? Porque elas costumam ser as mais duras de mover — estão aí há muito tempo. Primeiro desgastamos o ciclo que as alimenta; depois, com o terreno preparado, ajustamos as regras.
Baseada no Módulo 4 do programa "Helping Health Anxiety" (CCI)
Quem vive com ansiedade de saúde passa o dia varrendo o próprio corpo em busca de sinais de doença — e depois se preocupando com o que encontra. Até certo ponto, é normal perceber sensações. Mas se esse foco toma muito tempo, ou se é difícil desgrudar a atenção dos sintomas, é hora de retreinar a lente.
Focar nos sintomas amplifica a intensidade deles e rouba atenção do que importa: já tentou ler, trabalhar ou terminar uma tarefa doméstica enquanto a mente insistia em voltar a uma sensação do corpo?
Este observatório não seria digno do nome sem um experimento. Durante 1 minuto, foque toda a sua atenção no seu estômago. Note cada mínima sensação — aperto, ronco, calor, borbulha, o que for. Quanto mais fundo, melhor. O cronômetro marca o tempo:
Você havia notado essas sensações antes de focar de propósito no estômago? E conforme o minuto passava, elas ficaram mais ou menos perceptíveis?
A maioria das pessoas descobre um punhado de sensações que não percebia — e nota que elas parecem crescer à medida que recebem atenção. É exatamente isso que acontece, o dia inteiro, quando a lente fica apontada para o corpo. A atenção é uma lupa: aumenta o que quer que você coloque embaixo dela.
Se uma parte de você acredita que vigiar o corpo é útil, faz sentido continuar vigiando. Por isso, antes do treino, vale examinar essas crenças. Alguma destas soa familiar?
Para cada uma, o programa sugere perguntas de exame: qual é o objetivo desse foco? Ele realmente atinge o objetivo — se você recebesse um diagnóstico amanhã, o quanto ter se preocupado teria ajudado de verdade? Há consequências negativas — o foco aumenta a intensidade das sensações? Dispara mais ansiedade? Focando em um sintoma, você não estaria deixando de ver outro? E se uma criança vigiasse o corpo tanto quanto você… você a incentivaria a vigiar mais?
Se não é exercitado, o músculo da atenção enfraquece. E um lembrete essencial antes de começar: é completamente normal a mente vagar. Mentes fazem isso — derivam para memórias, preocupações, sensações, planos. A habilidade que você vai treinar não é manter atenção perfeita; é perceber que a atenção fugiu e trazê-la de volta, sem se criticar. Cada "fuga" é mais uma repetição do exercício.
Lavar louça, passar roupa, tomar banho, cuidar das plantas, comer — momentos em que a mente adora vagar são ótimas academias. Escolha uma tarefa do dia e, sempre que perceber a mente longe, ancore a atenção de volta usando os cinco sentidos:
Se quiser medir o próprio progresso, estime antes e depois: que porcentagem da sua atenção estava em você (pensamentos, sintomas) e que porcentagem estava na tarefa?
Uma prática mais formal, em três passos. Não é uma tentativa de controlar ou expulsar pensamentos e sensações — é permitir que estejam lá, e escolher devolver a atenção à respiração:
Com a prática, aumente os passos 2 e 3 até chegar a dez minutos, duas vezes por dia. Recomendação do programa: foco em tarefa cotidiana pelo menos uma vez ao dia e meditação duas vezes ao dia (ou mais tarefas cotidianas, se a meditação não couber na rotina). Um diário simples — data, exercício, duração, o que você notou — ajuda a acompanhar a evolução.
Mesmo com a lente retreinada, preocupações vão pipocar. Tentar não pensar costuma sair pela culatra — faça o teste: não pense em um elefante cor-de-rosa pelos próximos 60 segundos. E então, como foi?
Se focar na preocupação a alimenta, e suprimir também… existe uma terceira via: adiar. O pensamento pode chegar ("e se essa dor no peito for um infarto?") — você o registra e decide não persegui-lo agora.
Depois de uma semana de prática, revise: o que aconteceu com as preocupações adiadas? Você ainda precisou se preocupar com elas mais tarde? Anotar por escrito (recomendado) funcionou melhor do que só tentar lembrar?
Reduzir o foco não significa ignorar sintomas que merecem atenção médica. As orientações gerais de especialistas em ansiedade de saúde (Furer e colaboradores, Universidade de Manitoba):
Importante: se você tem um diagnóstico ou usa medicações específicas, converse com o Dr. Fábio para construir as suas diretrizes pessoais — o que adiar e o que exige ação imediata no seu caso.
Baseada no Módulo 5 do programa "Helping Health Anxiety" (CCI)
O que passa pela sua mente determina, em grande parte, como você se sente. O princípio central desta ala:
Não é a situação em si que determina como você se sente — são os pensamentos, significados e interpretações que você traz a ela.
Um exemplo clássico: você está na cama, à noite, e ouve um barulho alto. A mesma situação, três leituras — toque em cada uma:
Como quase nunca percebemos esses pensamentos, não notamos o quanto eles nos afetam. Na ansiedade de saúde, a ameaça percebida é maior do que a real — não porque os sintomas sejam imaginários (eles são reais!), mas porque a interpretação catastrófica deles dispara emoções e sensações intensas.
Quem tem ansiedade relacionada à saúde tende a:
Alguns pensamentos típicos: "ando tão cansado — pode ser leucemia" · "minha mãe teve câncer, então é bem provável que eu tenha também" · "meu coração acelerou — vou ter um infarto" · "essa dor no lado pode ser câncer de ovário ou de estômago" · "nunca vi essa pinta — pode ser melanoma" · "dor de cabeça — pode ser tumor ou aneurisma" · "ando esquecendo as coisas — pode ser começo de demência".
Como cada um desses pensamentos anuncia uma ameaça, cada um dispara a resposta de ansiedade — que produz sensações — que geram mais pensamentos. A conexão mente-corpo em ação, girando o ciclo.
Pensamentos são só pensamentos: às vezes precisos, às vezes parcialmente corretos, às vezes completamente fora da realidade. O único jeito de saber é investigar — como um detetive que coleta evidências a favor e contra, considera outras explicações e busca a leitura mais provável. E isso não se faz de cabeça: se faz por escrito.
Experimente o percurso completo aqui — suas respostas ficam guardadas apenas neste aparelho, e podem ser baixadas em PDF ou enviadas ao consultório pelo Caderno de Bordo. Use um episódio recente de preocupação:
Exemplo do programa: uma pessoa cansada há semanas, com exame negativo para anemia, acreditava 80% em "pode ser leucemia". Depois de examinar as evidências ("não tenho nenhum dos outros sinais; ando estressado e dormindo mal; meu médico não se preocupou"), a crença caiu para 40%, a aflição de 90% para 30% — e o plano virou: comprar frutas e verduras, dormir mais cedo e pedir ajuda no trabalho.
Se as preocupações são poucas, use o diário quando surgirem. Se são muitas ao longo do dia, combine com o adiamento da Ala IV: adie até o período de preocupação — e lá, faça o diário. Com prática, questionar os próprios pensamentos vira segunda natureza. Ao acumular vários diários, monte um "resumo de bolso": de um lado o pensamento antigo, do outro o novo pensamento realista — para reler quando o velho pensamento voltar a bater à porta.
Baseada no Módulo 6 e na Folha Informativa 3 do programa "Helping Health Anxiety" (CCI)
Checar e pedir reasseguramento é humano. "Será que tranquei a porta?" — a gente volta, confere, e segue o dia mais tranquilo. Com a saúde é igual, e até incentivado: observar pintas, fazer autoexames, procurar o médico quando algo muda. Normalmente isso reduz a ansiedade e a vida segue.
O problema: ninguém pode ter 100% de garantia de saúde perfeita. Exames servem para confirmar ou descartar hipóteses específicas — não existe "exame para tudo". Quem tem ansiedade de saúde continua preocupado mesmo depois de checar… e por isso checa de novo. Nasce o Ciclo do Reasseguramento:
Marque as que fazem parte da sua rotina:
Se não sabe a frequência real, faça um mini-levantamento: um bloquinho ao lado do espelho para marcar cada checagem, a agenda para contar consultas do mês, o tempo de tela para medir as horas de pesquisa.
Atenção para um detalhe do caso do programa: uma mulher notou uma área irregular no seio e passou duas semanas apertando e espremendo o local, além de pedir que a mãe e o namorado também apalpassem. A área ficou cada dia mais dolorida — o que aumentou a certeza de que algo estava muito errado. A checagem criou o sintoma que parecia confirmá-la.
O objetivo desta ala não é abolir toda checagem — é encontrar o meio do contínuo. Nunca checar coloca você em risco; checar diariamente impede de notar mudanças reais (e pode machucar). Exemplo: o autoexame visual da pele é recomendado por organizações de referência a cada três meses, por cerca de 15 minutos — não uma hora por dia com desenhos e medições, como fazia Jim, o personagem do módulo, que passou a se atrasar para o trabalho medindo cada pinta depois que um amigo morreu de câncer de pele.
Checar pintas só visualmente (sem desenhos/notas), todo dia, 30 min no máximo
Dia sim, dia não, 20 min
A cada 4 dias, 20 min
Uma vez por semana, 20 min
Uma vez por quinzena, 15 min
Uma vez por mês, 15 min
A cada 2 meses, 15 min
Meta: a cada 3 meses, 15 min — como recomendam as diretrizes
O número à esquerda é o "termômetro de aflição" (0–100) que Jim estimou para cada degrau. Cada passo só é vencido quando fica confortável — aí se sobe o próximo.
Nem toda informação de saúde em revistas, jornais e internet passa por controle de qualidade — e o modo como pesquisamos também engana. Se você digita "preocupação e infarto", o buscador filtra para dentro páginas que confirmam a ligação e para fora as que a desmentem: sua pesquisa reforça o próprio medo.
Quanto mais itens marcados, melhor a informação. Ainda assim: internet e mídia são um recurso — nunca devem, sozinhas, diagnosticar uma condição ou justificar mudanças de medicação, dieta ou estilo de vida. Antes de qualquer mudança, converse com o Dr. Fábio ou com seu clínico, que conhecem a sua história completa.
Baseada no Módulo 7 e na Folha Informativa 2 do programa "Helping Health Anxiety" (CCI)
A Ala VI tratou dos comportamentos em excesso. Esta ala trata do oposto: o que deixamos de fazer. Quando esperamos sentir ansiedade, agimos de dois jeitos:
Ficar longe do que associamos a doenças ou do que nos lembra a mortalidade — pessoas (equipes médicas, amigos ou parentes doentes), lugares (hospitais, banheiros públicos, funerárias), atividades (ir a consultas, pensar na morte, fazer testamento, ligar para saber resultados de exames, assistir a noticiários ou séries médicas). E, como sensações físicas assustam, também evitamos o que as produz: exercício, subir escadas, café, comida apimentada, refrigerante, sexo.
A forma mais sutil de evitação: não fugimos da situação, mas só a enfrentamos com precauções — sair de casa apenas com remédios na bolsa "por via das dúvidas", só se afastar se estiver com o celular carregado para "chamar socorro", visitar um amigo doente somente com álcool em gel a postos. Não é o comportamento em si que define — é a função dele. Levar fones no transporte pode ser lazer… ou um escudo. O teste: "quão ansioso eu ficaria se não pudesse fazer isso?" Se a resposta é "muito", provavelmente é um comportamento de segurança.
Se a ansiedade continua alta mesmo depois de enfrentar uma situação várias vezes, é bem provável que algum comportamento de segurança esteja impedindo o teste verdadeiro do medo.
Para superar a ansiedade de saúde, mais cedo ou mais tarde é preciso encarar o que se teme. Pular direto no medo maior costuma ser esmagador — por isso o programa propõe subir uma escada, degrau por degrau, do menos ao mais difícil. Os ganhos da exposição:
Phil evitava lugares associados a pessoas doentes: temia "pegar algo" em clínicas e até na prateleira de remédios do supermercado, que imaginava "contaminada" por doentes que a tocaram. Sabia que seu check-up estava atrasado. Sua meta: comparecer a uma consulta no seu médico. A escada que construiu:
Ficar 5 min na prateleira de remédios do mercado local, sem tocar em nada
10 min na mesma prateleira, tocando vários itens
10 min na prateleira de um mercado grande, sem tocar
10 min no mercado grande, tocando itens
Farmácia local, dia de semana, 10 min, tocando itens
Farmácia local, fim de semana (mais cheia), 10 min, tocando itens
Sala de espera de uma clínica de pronto atendimento, 15 min, sem tocar
Mesma sala de espera, 15 min, folheando as revistas
Sala de espera do SEU médico, sem consulta marcada, 15 min, tocando as revistas
Meta: consulta marcada no seu médico, usando a sala de espera normalmente
Repare como Phil variou quem está presente, o que faz, quando, onde e por quanto tempo — os cinco botões para calibrar a dificuldade de cada degrau. E note que ele também foi abandonando a segurança de não tocar em nada.
Escolha uma ou duas metas que importam para você (ex.: "fazer o check-up que venho adiando", "voltar a me exercitar até sentir o coração acelerar"). Depois, monte os degraus aqui — dê a cada um uma nota de aflição de 0 a 100. A escada se organiza sozinha, do mais fácil ao mais difícil:
Sua escada aparecerá aqui. Dica: leve-a para a consulta — planejar os degraus junto com o Dr. Fábio torna o processo muito mais seguro e eficaz.
Muitas pessoas com ansiedade de saúde evitam pensar — em doenças, na morte, no próprio funeral. Como o elefante cor-de-rosa mostrou, suprimir pensamento o fortalece. A escada também pode incluir exposição a pensamentos: ler os obituários, escrever a palavra "morte" repetidas vezes, preparar um testamento, visitar um cemitério, assistir a um filme cujo protagonista tem a doença temida, escrever a própria história temida — uma Narrativa da Preocupação, em primeira pessoa, no tempo presente, focando no que você sente e pensa.
Lida uma vez, a narrativa aflige. Lida várias vezes por dia, ao longo de uma ou duas semanas, ela vai perdendo o poder — esse é o mecanismo da exposição. Este é um trabalho delicado e profundamente libertador: vale construí-lo junto com o Dr. Fábio na consulta.
Baseada no Módulo 8 do programa "Helping Health Anxiety" (CCI)
Você já aprendeu a soltar o foco dos sintomas, a questionar pensamentos e a reduzir checagens e evitações. Agora, com o ciclo desgastado, é hora de tocar na raiz: as regras e suposições que deram origem à ansiedade — aquelas da Ala II. Ninguém nos ensina "as regras" formalmente; nós as absorvemos das experiências e das pessoas que nos influenciaram. E, mesmo invisíveis, elas comandam pensamentos e comportamentos todos os dias.
Regras úteis são realistas e flexíveis: "motoristas devem parar no vermelho" (evidência sólida), "é bom comer de forma saudável" (com espaço para o bolo de aniversário, sem culpa). Regras problemáticas são inflexíveis e irrealistas: "meu médico deveria explicar cada sensação do meu corpo" — padrão que nenhum médico do mundo consegue manter, e que só produz preocupação e frustração.
Perguntas que ajudam a encontrá-las:
As regras costumam vestir estas formas: "Eu devo/tenho que sempre…" · "Meu médico deve sempre…" · "Eu nunca devo…" · "Se…, então…"
O objetivo não é jogar as regras fora, e sim ajustá-las para que virem diretrizes realistas e flexíveis:
Toque em cada regra antiga para revelar sua versão ajustada:
Guarde sua regra nova em lugar visível. As antigas vão reaparecer de tempos em tempos — levam um tempo para se "gastar". Até a nova ficar "amaciada", releia e, principalmente, pratique os comportamentos que a acompanham. A meta nunca é abolir regras saudáveis ("se a dor piorar, vou ao médico" continua valendo!) — é aposentar as inflexíveis e ultrapassadas.
Baseada no Módulo 9 do programa "Helping Health Anxiety" (CCI)
O ciclo da Ala III é uma roda girando com força na direção errada. A boa notícia de uma roda: dá para invertê-la. No começo, empurrar contra o movimento exige esforço e o giro sai irregular — mas com persistência a roda ganha embalo próprio na direção nova.
No novo modo de funcionar, os gatilhos ainda vão ativar as regras antigas de vez em quando (elas estão aí há anos — não desaparecem da noite para o dia). A diferença é o que você faz em vez de obedecê-las:
Mudança nunca é uma linha reta. Como aprender um esporte novo: as habilidades levam tempo para ficarem naturais, e vez ou outra aparece um adversário duro — o que não significa desistir, e sim treinar mais. Diante de um tropeço, o foco não é o tropeço: é o próximo passo para voltar aos trilhos. Cada recaída, aliás, ensina algo sobre você que ajuda a prevenir a próxima.
Preencha — e depois guarde uma cópia (o botão copia o texto para você colar onde quiser):
Lá na Ala I, vimos que saúde é funcionamento físico, mental e social. O passo final é investir ativamente nessas áreas — afinal, quem cuida de verdade da saúde tem menos o que vigiar. Para cada área, o segredo é trocar a meta vaga por um passo específico:
Parabéns por percorrer o Observatório inteiro. A recomendação de despedida do programa vale ser emoldurada: continue usando as estratégias e revisite as alas de tempos em tempos — a roda continua girando na direção nova enquanto você a alimenta.
E lembre-se: este material acompanha — não substitui — o seu tratamento. Traga suas descobertas, escadas e diários para a consulta.
12 cadernos em português preparados pelo Dr. Fábio Fonseca — baseados em Anderson, Saulsman & Nathan (2011), Centre for Clinical Interventions
Os cadernos em PDF são disponibilizados pelo Dr. Fábio Fonseca aos seus pacientes. Digite o código de acesso que você recebeu:
Os PDFs abrem se estiverem na mesma pasta em que você salvou este arquivo. Se preferir, peça-os novamente ao consultório.
ICadernos e folhas em português de autoria do Dr. Fábio Martins Fonseca, baseados em Anderson, R., Saulsman, L., & Nathan, P. (2011), Centre for Clinical Interventions, Perth, Austrália Ocidental. O programa original, em inglês, está disponível em www.cci.health.wa.gov.au.
Seus registros desta visita, reunidos num só lugar
Tudo o que você escreveu e marcou nas alas aparece aqui, atualizado automaticamente. Seus registros ficam guardados apenas neste aparelho e neste navegador — você pode fechar a página e retomar a visita de onde parou. Nada é enviado sem a sua autorização.
O botão "Enviar ao Dr. Fábio" transmite os registros acima ao consultório por e-mail, para serem revistos na sua consulta. O PDF é gerado pela função de impressão do seu aparelho: na janela que abrir, escolha "Salvar como PDF".
Psiquiatra · CRM-SP 94694 · RQE 49916
R. Paulo César Fidélis, 39 — Sala 14 · Campinas/SP
Dúvidas sobre este material, sobre o seu tratamento, ou gostaria de agendar ou saber mais sobre uma consulta?
Conversar pelo WhatsApp Visitar o site do consultórioSe você estiver passando por uma crise ou tiver pensamentos de se machucar, procure ajuda imediata: CVV — ligue 188 (24 horas, gratuito) ou acesse cvv.org.br. Em emergências, procure o pronto-socorro mais próximo ou ligue 192 (SAMU).